Artigo de Opinião

Como sobreviver aos tsunamis existenciais - por Sérgio Nunnes[1]

02/02/2019 15h41 - Atualizado em 02/02/2019 15h49

Em dezembro de 2004, um casal de brasileiros sobreviveu a uma das maiores catástrofes naturais da história, responsável por vitimar mais de 300 mil pessoas, atingindo 14 país e deixando cerca de 2 milhões de pessoas desabrigadas.

Karina e Isac viajaram para o sul da Tailândia naquele ano com o propósito de realizar o sonho de Isac de mergulhar nas águas do Oceano Índico.Então, após navegarem em direção a Koh Bida Nok, uma pequena ilha desabitada, formada por pedra calcária, eles mergulharam por pouco mais de meia hora, numa profundidade de 23,5 metros.

Posteriormente, eles começaram a emergir, realizando uma parada a cinco metros da superfície, a fim de evitar os efeitos da descompressão. Somente nesse instante, eles tiveram um primeiro sinal de que algo incomum estava acontecendo. O guia foi arremessado contra as pedras, como se tivesse sido atingindo por um turbilhão.

Mas, a pergunta que você certamente está se fazendo é: como esse casal pôde sobreviver a um evento tão devastador como esse, mesmo estando dentro do oceano?

Os físicos e professores da UFRS, Dr. Fernando Lang da Silveira e a Dra. Maria Cristina Varriale, publicaram artigo no qual afirmam que “ao se aproximar da costa, a velocidade de propagação e o comprimento de onda de um tsunami decrescem enquanto a sua amplitude aumenta.” Por isso, “Turistas, que mergulhavam em frente a uma das praias devastadas pelo tsunami de 26 de dezembro de 2004, relataram que estavam próximos ao fundo do oceano e que apenas notaram uma ‘correnteza forte’. Ao retornarem ao barco, constataram que objetos no seu interior estavam desarrumados, evidência de ‘sacudida mais forte’”[2].

Para ilustrar o fenômeno, eles utilizaram uma figura que irei expor aqui, com algumas modificações [3].




A partir da experiência do casal e dos estudos dos professores, podemos afirmar que quanto mais profundo alguém estiver no oceano durante um tsunami, menor será o poder destrutivo dele.

Mas, será que essa tese se aplica apenas a este evento ou seria aplicável também ao plano existencial de cada um de nós? Pois, pensemos o seguinte: quantas vezes fomos surpreendidos com acontecimentos cuja força destrutiva se assemelha a um tsunami? Quantas vezes, nos negócios, trabalho, concursos, relacionamentos, estudos etc., o mundo pareceu desabar sobre nossas cabeças, como ondas gigantes, causando dor e sofrimentos que julgamos não merecer?

Talvez aqui resida um dos grandes e poderosos segredos da vida, o qual eu gostaria de compartilhar com você e de pedir que você compartilhe com todos que você realmente ama.

Na vida, nunca sabemos quando seremos atingidos por um tsunami qualquer, porém, se, independente da área ou aspecto dela, buscarmos sempre mergulhar com profundidade no oceano existencial, abandonando a superfície, passando a congregar valores capazes de criar raízes fortes e saudáveis, talvez nem sintamos os efeitos avassalador de um tsunami que, para outros, pode representar o fim.

A partir de agora, você irá mesmo permanecer na superfície?

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Notas:

[1] Bacharel em Direito, Pós-graduado com formação para o Magistério Superior, Professor Universitário e em Cursos Preparatórios para Concursos Públicos, Escritor, Colunista, Palestrante, titular da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do DF (ALMEBRAS) e Oficial da Polícia Militar do Estado do Tocantins;

[2] SILVEIRA, Fernando Lang da; VARRIALE, Maria Cristina. Propagação das ondas marítimas e dos tsunami. CADERNO BRASILEIRO DE ENSINO DE FÍSICA, V. 22, N. 2: P. 190-215, 2005. Disponível em: <https://www.if.ufrgs.br/~lang/Textos/Ondas_tsunami.pdf> Acesso em: 02/02/2019;

[3] A modificação que fiz foi apenas a retirada dos símbolos que representam a fórmula física trabalhada pelos professores para demonstrar o movimento do tsunami e o acréscimo de duas setas, indicando a direção da praia e do oceano. Como esse não é o propósito do texto, utilizei apenas a retratação do tsunami.

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